Conheçam Ondina e Vadinho (crônica de 2005)
Dona Ondina e Seu Vadinho
Ela tem setenta e cinco, ele setenta e quatro. Ela um sorriso doce e uma gargalhada deliciosa. Ele um discurso sem outro igual e uma felicidade interminável. Ambos com uma capacidade de encantar desconhecida. Ela se chama Ondina, ou melhor, dona ou vovó Ondina e ele, Oswaldo, mais conhecido como vovô ou seu Vadinho. Moradores do Rio de Janeiro, pais de quatro filhos e avós de sete netos, Ondina e Vadinho já experimentaram muitas alegrias e também muitas tristezas.
Certa ocasião, sempre querendo agradar, seu Vadinho deu um susto em sua neta ao alertar a um senhor, na rua, que seu pé estava no chão, “Vô”, disse a menina assustada. Isso sem contar as vezes em que esmagou feijões pensando que fossem baratinhas: “Minha filha, seu avô se confundiu”. É normal também ouvir dele perguntas como: “Você se molha quando entra na água?”, ou “Quando você come acaba a fome?”. Ah seu Vadinho! Sempre querendo agradar... Nunca diz não a nenhum favor solicitado, o que muitas vezes é um problema, porque nem sempre pode ajudar. Mas ele não quer nem saber: “Marcelo, se eu quero ajudar, é porque eu posso”, disse ele para o filho mais novo. O pior é que Marcelo sabe que isso é mentira. Mas Vadinho dá a volta por cima, aperta daqui, diminui dali, fica endividado e pronto! Problema resolvido. Quando anda na rua parece até um político, fala com todo mundo: “Oi, seu Santana!”, “Como vai, Verônica?”, “Como está seu filho, Karen?”, “Cadê sua mãezinha, baixinho?” É, não tem uma pessoa que não se apaixone por este senhor, que como ele mesmo diz: tem setenta e três anos com espírito de trinta e sete.
Já a dona Ondina faz de tudo para ver um sorriso nos rostos de seus queridos: “Dona Teresinha, quer um pedaço do bolo de chocolate que eu fiz?”. Principalmente se forem os netos. Vive cozinhando seus magníficos bolos (de chocolate, de amendoim, de pão, de bolo mesmo, etc.). Ah dona Ondina! Sempre querendo agradar... E arranjando um jeito de evitar confusão: “Ricardo, ela não quis dizer isso...”, “Livia, peça desculpas pro seu pai”, disse apartando a briga entre seu filho e sua neta.
Semana passada mesmo, distribuiu mochilas que colecionou na promoção de um jornal para seus netos: “Gostaram? Eu achei que vocês estariam precisando...” Ah, dona Ondina! Sempre se preocupando com as pessoas. Se recebe um presentinho faz questão de agradecer e retribuir a gentileza.
Quem vê a vida desse casal sempre de bom-humor, pensa que está tudo bem. Enganam-se. Há cerca de dois anos, seu Vadinho e dona Ondina experimentaram a pior de todas as dores e, na verdade, ainda experimentam: a perda de um filho. Perderam a única mulher, mãe de dois de seus netos. Foi um acontecimento que mexeu com toda a família e deixou um enorme vão no coração de cada um. Ondina ia à casa de sua filha ajudá-la todos os dias com um sorriso de uma ponta a outra. Ela não esperava por isso. Mas o que fazer? É preciso seguir em frente. Dos três filhos que restaram, todos homens, o mais velho mora em outra cidade com seus dois filhos, o do meio num bairro próximo, e o mais novo no outro quarteirão.
E de repente é por isso que esse casal é tão especial. Porque apesar de ainda estarem lidando com essa grande perda e com outros tipos de dificuldades, eles estão sempre sorrindo e contagiando a todos com sua alegria. Ondina e Vadinho mostram que devemos sempre seguir em frente, levando para o futuro, apenas os aprendizados. Eles conseguem encontrar a felicidade nas pequenas coisas, nos pequenos gestos, nas palavras, nas atitudes. E nós? Será que damos valor a isso também?
Dona Ondina e seu Vadinho ensinam aos que os rodeiam e sou muito grata por ser uma dessas pessoas. É muita honra e muito orgulho que sou neta, amiga, confidente e admiradora desse casal que me faz ter certeza de que são eles que realmente sabem viver.
Um comentário:
deberias tener mas coherencia y resumir lo más importante no te extiendas mucho...
te felicito
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